12.fev.2011 – 0h25

CRÍTICA
Reticências para conceituar uma pessoa feliz

O filme “À procura da felicidade” nos apresenta a biografia de um homem que, como todos, carrega consigo toda a complexidade do ser. Conflitos internos, morais e necessidades essenciais à sobrevivência física, social e emocional são alguns dos tópicos abordados.

A história relata a brava trajetória de um homem em meio a diversas crises e dilemas modernos. Cris Gardner, personagem principal, é interpretado por Will Smith. Cris é pai de família, tem meia idade e, vive uma luta obstinada e insana por conseguir emprego e condições favoráveis ao sustento de sua família, mulher e filho. O protagonista passa por sérios problemas financeiros, conjugais e existenciais. É deixado por sua mulher, que não resiste a tantas faltas e, lentamente, vê todo seu mundo desmoronar em meio a uma selva de pedras. O filme se desenvolve partir desses fatos, enfatizando também a relação pai e filho, que é intensificada pelo fato de os intérpretes terem esse laço familiar incomum.

Apesar de, por inúmeras vezes, nos remeter a abordagens sobre a dignidade humana e todos seus periféricos, o drama dirigido por Gabriele Muccino vai muito além de questões sociais e políticas, tais como: falta de emprego, moradia, comida e discriminação. O tema principal, a felicidade, é o que, de fato, mais angustia a plateia. Talvez pela subjetividade ou pela dificuldade em conceituá-la, ela toma diferentes conotações e, no drama, provoca uma intensa inquietação no íntimo das pessoas.

Muitos considerariam que o filme tem um final feliz. Entretanto, o enredo se caracteriza dessa forma não pelo fato de Cris ter por fim encontrado a tal felicidade e, sim por obter vitórias e conquistar aquilo que um dia foi seu sonho ou sua maneira de sobreviver dignamente. Apesar de nosso ilustre Cris Gardner ter êxito em um austero processo seletivo, indo contra tudo e todos, a noção de felicidade em momento algum parece ser uma verdade na vida dos envolvidos na trama. O filme acaba com pai e filho juntos, caminhando esperançosos para um futuro até então desconhecido e incerto. Eles acreditam e têm motivos para acreditarem que o que os aguarda é algo muito melhor de tudo vivenciado até o momento, no entanto, tudo ainda não passa de uma bela vista para o horizonte.

Outra ideia veementemente registrada no longa é a insistência do autor em tornar complexa a conquista da felicidade. Não há nenhum interesse em relacioná-la com status ou qualquer forma de poder e riqueza, o que seria altamente conveniente. Hoje, Cris Gardner é um milionário bem sucedido e, certamente, em sua vida nova não lhe faltam recursos financeiros, moradia, comida, sapatos, uma escola de qualidade para seu filho e, certamente... a felicidade?

Fazer essa relação nos traria um final arrebatador, com muitas risadas em algum resort luxuoso de Cancun ou Dubai, enfim, feliz.

Porém, o autor se recusa a reduzir algo tão complexo a uma mera equação matemática, fruto de um padrão de raciocínio, que todos chegariam a obter usando as devidas técnicas. Talvez esteja nisso o maior drama, a maior verdade e o principal motivo de nosso filme não ter um final tão radiante assim. A história acaba antes de tudo isso acontecer. Justamente para que não se estabeleça qualquer relação enganosa, termina de forma apática e com três belos pontinhos.

A sensação que se tem ao término da obra é de alívio, por poder sair de um grande dilema existencial. E ainda perceber que a felicidade, tão apregoada nos lugares comuns, que é garantida pela Constituição dos EUA e discutida para ser colocada na nossa, ainda é algo a se postular, conjecturar e buscar.

Grande Abraço!!! (MATHEUS RAULINO)

Leia a reportagem e veja as fotos: Cinema na igreja exibe “À procura da felicidade”

 
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